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Contrato Social da Mediocridade - Por João Batista Schmitt de Nonohay

 

Nunca esqueci quando tirei 1 numa prova de filosofia, sobre 10. Lá no final da prova estava escrito: “não respondeu a pergunta”. E só. Lembro que, pelos boatos que ouvi na época, parece que a maioria da turma também não foi bem. Fiquei surpreso? Não, mas de lá pra cá volta e meia confirmo o que refleti sobre o episódio. Não foi uma reflexão para o lado pessoal, de que sou fraco na pontuação, mas no fato de que, de regra, ninguém sabe de nada, com profundidade. Mesmo profissionalmente, vivemos em relação, uns com os outros, de mediocridade, no sentido técnico da palavra. Uma espécie de contrato social da mediocridade. Mas que funciona, bem azeitado.

Explico, de maneira medíocre, obviamente. Aquele professor de filosofia, da cadeira de Ética, para mim e para todos que o conheceram (ele já faleceu), era uma sumidade. Sabia tudo, mas tudo mesmo, de Filosofia, principalmente de Aristóteles, o pai da Ética, digamos assim. Discorria sobre o tema de forma brilhante, sem qualquer exibicionismo, antes pelo contrário. Eu juro que entendia as aulas que eu conseguia assistir, não sem alguma queima de fosfato, o que me fez, no meu entender sincero, uma pessoa com alguma noção do assunto, naquela época.

Se eu ler aquela prova hoje, essa do 1, para alguém, ou mesmo discorrer sobre o assunto ali escrito numa conversa à toa, tenho quase certeza que vou enganar o meu interlocutor. Mesmo se ele tiver alguma noção do tema. Mas para o professor, que definitivamente não era medíocre, que passou a vida estudando filosofia, com profundidade, a máscara caiu na hora, por mais reduzido que  pudesse ser o nível de exigência para um aluno da graduação. Ele teve certeza de que eu não sabia nada.

Mas ele, o professor, foi uma exceção. No geral, as relações humanas não são assim. É todo mundo com apenas alguma noção de determinado assunto, uns mais, outros menos, mesmo na especialidade profissional, numa espécie de níveis abstratos de mediocridade social. Só que, como eu disse acima, funciona perfeitamente. A vida segue, as coisas evoluem, ganha-se dinheiro, às vezes muito, enaltecem-se alguns e por aí vai, independentemente se correspondem à verdade as convenções sociais que vão se formando ao longo da vida. Toma-se como verdadeiro o que é falso, se ajeita dali e daqui e a vida segue assim mesmo, numa boa. Acho que até seria ruim se fosse diferente.

Quem engana mais, com um pouco mais de estudo, melhor fica, pois raramente tem algum professor de filosofia para te dar uma nota 1 e te dizer que aquele prêmio que tu ganhaste de profissional do ano ou coisa parecida não passou de uma ficha de leitura barata.

 

João Batista Schmitt de Nonohay

Advogado, com atuação em Porto Alegre na área civil e administrativa.

Sócio- fundador do escritório Freitas e Nonohay Advogados Associados

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